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Marie Curie por Marjane Satrapi + Rosa Montero

Esta é uma postagem emergencial feita por ocasião do lançamento recente no Netflix do filme “Radioactive“, cinebiografia de Marie Curie dirigido por Marjane Satrapi (informação que percebi apenas nos créditos finais). Após ver o filme, corri para o Kindle para regastar o livro de Rosa Montero sobre a cientista, que há muito estava em minha fila de leitura, intitulado “A Ridícula ideia de nunca mais te ver“. Título este que fez todo o sentido após ver o filme, tornando sua leitura URGENTE.

Quem se interessa pela compreensão da condição feminina e as desigualdades de gênero perceberá neste parágrafo introdutório três nomes de mulheres incríveis: Marie Curie, Marjane Satrapi e Rosa Montero. Sendo, Marie Curie, talvez a mulher mais notável de todos os tempos.

Maria Skłodowska (nome de solteira) nasceu 1867 em uma Polônia ocupada pela Rússia. Em a “Ridícula ideia de nunca mais te ver”, Rosa Monteiro regasta sua infância e demonstra a improbalidade do surgimento de uma cientista tão brilhante em contexto tão adverso para os poloneses no geral, e, mais especialmente, para as mulheres, que eram proibidas de frequentar qualquer espécie de curso superior.

Marjane Satrapi, autora dos quadrinhos Persépolis, dirige esta história sobre Marie Curie quando já morava na França. Neste país, não era proibido às mulheres fazer uma formação superior, mas, tampouco, havia um ambiente favorável . O filme trata sobre a tarefa hercúlea de ser uma cientista brilhante que precisava de recursos para susidiar a estrutura experimental de suas pesquisas em uma conjuntura muito hostil. Sem fundos, Marie conhece Pierre Currie, uma união que lhe possibilitou acesso aos recursos de que necessitava e, depois, a descoberta do amor.

Falar mais sobre o livro ou sobre o filme, é tirar o prazer de conhecer a ambos. Assim, faço essa dupla recomendação. Livro e filme são produtos de pesquisas absolutamente independentes de Rosa Montero e Marjane Satrapi, vistos/lidos em sequência nos fazem conhecer aspectos distintos da história de vida de Marie Curie, sua genialidade, sua resiliência e seu amor.

Nos tempos de Marie Curie, pretender brilhar por conta própria era algo anormal, presunçoso e até mesmo ridículo. E assim, sem modelos a seguir e contra a corrente geral, é muito difícil seguir em frente, ainda que você tenha uma vocação, ainda que esteja convencida do seu valor, porque todos à sua volta repetem incessantemente que você é uma intrusa, que não vale o suficiente, que não tem o direito de estar ali, ao lado dos homens.

Montero, 2019, p. 44

Referências

MONTERO, Rosa. A ridícula ideia de nunca mais te ver. São Paulo: Todavia, 2019.

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