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Para educar crianças feministas por Chimamanda Ngozi Adichie

Lista “Mulheres, literatura e libertação”

11 – “Para educar crianças feministas” por Chimamanda Ngozi Adichie

Neste ponto iniciamos com outra autora importante para esta lista: Chimamanda Ngozi Adichie . Se costumamos dizer que “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir é a bíblia do feminismo, poderíamos dizer que “Para educar crianças feministas” de Chimamanda é a bíblia de bolso. É um livro pequenino no tamanho, mas imenso no conteúdo.

Chimamanda Ngozi Adiche é uma ativista social poderosa graças ao seu talento para a literatura e por suas TED Talks. Nigeriana, nascida em 1977, Chimamanda escreve sobre a condição feminina, sobre a religião e sobre o racismo, este último por ela pessoalmente descoberto quando emigrou para os Estados Unidos .

Menos conhecido que o livro “Sejamos todos feministas” da mesma autora, eu acho o “Para educar crianças feministas” ainda melhor, considerando sua capacidade de síntese para expor, objetivamente, uma check-list da educação para a igualdade de gênero.

Escrito em forma de carta para um amiga que acaba de ter uma menina, Chimandanda apresenta um manifesto feminista formado por 15 sugestões. Entre os assuntos tratados, estão: casamento, abuso, honestidade, coragem, feminilidade, amor e até mesmo um tema que acho muito sensível e, frequentemente evitado, que é a equivocada beatificação dos oprimidos.

Destacarei duas passagens que acho brilhantes por condensar em um parágrafo duas mensagens complexas.

A primeira diz respeito à feminilidade (uma espécie de vigilância dos esmaltes que mencionei no item anterior da lista):



“Não pense que criá-la como feminista significa obrigá-la a rejeitar a feminilidade. Feminismo e feminilidade não são mutuamente excludentes. (…) Um homem bem vestido não se preocupa que, por estar assim, possam em colocar em dúvida sua inteligência, sua seriedade ou sua capacidade.”

(ADICHIE, 2017, p. 55–56)



Um outro trecho que acho extremamente importante se refere à imanência da mulher (conceito também já tratado na lista). Chimamanda destaca que as mulheres são criadas para serem agradáveis quando deveriam ser ensinadas a serem honestas, bondosas e corajosas. Ela diz:

“Incentive-a [a menina] a expor suas opiniões, a dizer o que realmente sente, a falar com sinceridade. (…) Elogie principalmente quando ela tomar uma posição que é difícil ou impopular, mas que é sua posição sincera.”

(ADICHIE, 2017, p. 49)

Esse aspecto referido por Chimamanda me fez perceber um dos grandes problemas que enfrentamos cotidianamente: a verdade é que é muito difícil que aceitem a sinceridade de uma mulher.

O único defeito de “Para Educar Crianças Feministas” é seu título. Na verdade, ele educa a todos nós!

Texto elaborado originalmente para Conexão Rendeiras

Referência

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Para educar crianças feministas: um manifesto. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. 

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