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A casa dos espíritos por Isabel Allende

Lista “Mulheres, literatura e libertação”

6 – A casa dos espíritos por Isabel Allende

Entre as tantas formas de ser, há esta de Clara, personagem de Isabel Allende em “A casa dos espíritos.” A alma de Clara é quase tão concreta quanto seu corpo, uma personagem típica do realismo mágico latino-americano. Algo que no texto aproxima a prosa da poesia e na vida tem suas razões de ser.

Não sei quantas pessoas vivem experiências fantásticas, eu tenho várias histórias pessoais. Histórias que foram por mim vividas em momentos difíceis e em relação aos quais eu nunca soube distinguir entre a experiência psíquica ou espiritual. Sua natureza entretanto nunca me intrigou, foram vivências sem traumas, que me levaram a um outro ganho de consciência e à proximidade com minha intuição. 

Essa experiência me fez crer em uma dimensão paralela, não física, mas que, por convicção, considero que jamais deveria ser institucionalizada: num nível macrossocial são raros os efeitos positivos das religiões em comparação com seus incontáveis danos.

Acho que a crença na espiritualidade é quase um traço de personalidade, a mística da vida é importante para quem o tem e, no meu caso, tem sua doutrina escrita na literatura e não na religião. E neste contexto bem específico, “A casa dos espíritos” passa a ser uma espécie de leitura obrigatória.

Acho que amo tanto este livro porque Clara entre a Terra e o Céu é ela, a figura mais gentil do mundo e, ao mesmo tempo, absolutamente insubmissa. Alguém que ama incondicionalmente, mas que ninguém consegue condicionar. Uma personagem que contrasta com uma riquíssima problematização de Isabel Allende sobre as opressões de classe e de gênero e que são descritas em “A casa dos espíritos” como  um condicionante onipresente que impõe violência a tantas vidas em diferentes tempos e culturas.

Outro aspecto importante relacionado com esta obra é sua adaptação para o cinema, a capacidade de Bille August de tirar do papel e levar para a tela a beleza de Clara e o horror da classe que levou Pinochet ao poder décadas atrás. História real de opressão de um Chile que hoje se rebela e se mostra, também como Clara, insubmisso. Essa é uma dica de uma rendeira que tem no realismo mágico sua “religião”.

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