#LeiaMulheres Item da lista Literatura

(29) Reivindicação dos direitos da mulher por Mary Wollstonecraft

Imagine que em um cômodo onde você sempre está (seu quarto, seu escritório, sua sala) há uma pequena porta que parece dar a lugar algum. Ela fica escondida atrás de um armário, é uma porta que ninguém além de você sabe que existe. Imagine que, ao abri-la, você se depara com um túnel do tempo, longo, cheio de bifurcações, capaz de te levar para os mais diferentes lugares do mundo, nas mais diferentes épocas da história. Hoje, as Rendeieras lerão no El Pesto o capítulo escrito por Rosa Montero dedicado à Mary Wollstonecraft em “Nós mulheres“. Ao lermos juntas o capítulo e usarmos essa porta imaginária, buscaremos entender a importância de “Reivindicação dos direitos da mulher” de Wollstonecraft, uma feminista pioneira que constitui o 29º item da Lista #LeiaMulheres deste blog.

Então, vamos lá!

Abrimos a porta e adentramos no túnel do tempo.

Destino: século 18, algum lugar da Europa onde Mary Wollstonecraft militava. [Sons de viagem no tempo e no espaço]. Chegamos! Vamos realizar o evento “Lendo Juntas”! Prestes a começar, alguém pergunta?

-“Corremos algum perigo?”

Bom, se continuarmos com essa brincadeira, esse texto não vai terminar nunca. Então, estragando o jogo de imaginação, dizemos: sim, correríamos grande perigo! Se descobertas, seríamos presas e depois guilhotinadas (ou fuziladas).

Isso por quê? O que Mary Wollstonecraft dizia de tão perigoso? Fazia algum plano de genocídio? Insuflava donas de casa a envenenar a comida de seus maridos enquanto cozinhavam? Não, Mary Wollstonecraft reivindicava às mulheres os mesmos direitos humanos que usufruíam os homens, sendo, o principal deles, o direito à educação.

Historicamente, as mulheres foram privadas do acesso à educação até bem pouco tempo em sociedades altamente desenvolvidas. Até hoje as mulheres são proibidas de estudar mundo afora. E, mesmo em sociedades desenvolvidas, considerando as aberrações tipicamente capitalistas de concentração de renda, as mulheres de classes econômicas baixas têm direitos virtuais à educação, mas não exatamente reais.É como se essa porta que inventamos levasse não apenas a duas, mas a três dimensões: a do tempo, a do espaço, mas também a da pobreza.

Com um discurso objetivo e honesto, Mary Wollstonecraft assumia a existência de uma fragilidade intelectual das mulheres e propunha um teste de hipótese: a fragilidade não advinha de um defeito atávico de seu gênero, mas era simplesmente produto de sua não escolarização.Uma ideia que representa a questão central de o “Segundo sexo” feita por Simone de Beauvoir 150 anos mais tarde:

– “Quais oportunidades nos foram oferecidas exatamente, e quais foram recusadas [por sermos mulheres]?

Mary Wollstonecraft personificava o fato de que não apenas a inteligência, mas ainda a genialidade, são traços tão femininos quanto masculinos. Afinal, “Reivindicação…” constitui as bases do movimento feminista em um exercício filosófico original e profundo de Mary, que pouco estudou, mas muito lia, pensava e escrevia por conta própria. Mary Wollstonecraft, ou era dotada de uma mente brilhante, ou era uma viajante no tempo, usava a porta que acabamos de inventar, é uma mulher contemporânea que viaja dos dias de hoje até o século 18. Uma mulher que desafiou a todos, que não queria depender da rara produção de gênios pela natureza e reivindicava o desenvolvimento de talentos por políticas igualitárias de Estado.

“Reivindicação dos direitos da mulher” é uma obra que evidencia os avanços do movimento feminista. Sua leitura, para além do conhecimento histórico, nos motiva à ação. Se Mary Wollstonecraft fez o que fez correndo risco de ser guilhotinada, que parte das reivindicações pelos direitos da mulher nos cabe lutar e com que estratégia? Educação e saúde tão estigmatizadas pelas ondas conservadoras, que parecem inserir a história humana em ciclos sucessivos ao invés de uma única espiral de desenvolvimento social.

Direito a métodos contraceptivos, descriminalização do aborto, tantas pautas, mas, acima de tudo, o Estado Laico. Um Estado Laico que remete a dois elementos centrais propostos por Wollstonecraft, que é a dicotomia entre razão e virtude. Uma virtude que, baseada na razão, visa a proteção e a qualidade de vida de todos, não segue um rosário de pecados tão imaginários quanto essa porta que acabamos de inventar. 

E se você tende a acreditar em fantasia, recomendamos: não acredite! Mary Wollstonecraft foi simplesmente genial, não uma viajante no tempo. Morreu aos 38 anos em um parto feito por um obstetra/parteira que não lavou suas mãos. Sem higiene básica, conhecimento inexistente na época, Mary morreu de uma infecção que hoje seria perfeitamente tratada por antibióticos. Sim, sim, hoje estamos em um ponto diferente, mesmo que os conservadores queiram dizer que não.

Conversa e sororidade tem sempre na Roda de Rendeiras. @conexao_rendeiras
Dia: Hoje (04/07) às 18h45⏰
Local: El Pesto, Jerônimo de Ornelas, 596 @elpesto596

Mary Woolstonecraf: solidão ardente🎙️💭📖🌻

 #LeiaMulheres

#LeiaMaryWollstonecraft

#EstadoLaico

#Vemserrendeira

Sobre a obra: https://g.co/kgs/6uhUxT

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