#LeiaMulheres Item da lista Literatura

(21-24) Tetralogia napolitana por Elena Ferrante

Lista “Mulheres, literatura e libertação”

Se o segundo sexo é o tratado teórico da condição feminina, considero a “Tetralogia napolitana” de Elena Ferrante* o tratado literário; uma espécie de saga feminista constituída das obras (numeração na lista): “Amiga genial” (21), “História do novo sobrenome” (22), “História de quem foge e de quem fica”(23) e “História da menina perdida” (24).

Pelos quatro livros é possível acompanhar a história de Lenu e de Lila, suas vidas, da infância à velhice, e sua intensa amizade. Uma história de miséria econômica e social de duas meninas geniais, que, nascidas na periferia de Nápoles, tornam-se mulheres independentes em uma trajetória de limites e de superação própria de sua classe e gênero.

Entre processos de aculturação e marginalização, a genialidade de Lenu Greco e de Lila Cerullo desembocam em destinos muito distintos, o que me parece ser o grande recurso literário da Tetratologia para pensarmos questões psicológicas e sociológicas profundas da condição feminina.

Tive uma dificuldade inicial com a leitura de “A amiga genial”. Neste primeiro volume, cheguei a pensar que a história não era para mim. Insisti. Ao chegar no segundo e no terceiro volumes, me apaixonei, me senti representada, vi ali meus medos e meus desejos, me reconheci na história: me senti muitas vezes como Lenu e torci com desespero por Lila. O quarto volume, “História da menina perdida”, é mais pesado, mais difícil de ler, mas imprescindível para o desfecho de uma história muito real e, portanto, improvavelmente leve.

Em homenagem ao dia internacional da mulher, os livros da  “Tetralogia Napolitana” retomam nossa lista “Mulheres, literatura e libertação”, que está se aproximando do fim, mas que não poderia deixar de fora essa bíblia literária da condição feminina.

#LeiaMulheres #8M #ElenaFerrante #TetralogiaNapoletana #AmigaGenial    

*Nota: Elena Ferrante é pseudônimo da escritora/escritor que esconde muito bem sua verdadeira identidade, sendo já identificada como Domenico Starnone (escritor também napolitano e também genial, mas que eu, particularmente, não consigo vê-lo como Elena Ferrante) ou Anita Raja, esposa e editora de Domenico Starnone. São infinitas as especulações, que, particularmente a mim, não interessam. Elena Ferrante escreve tão diretamente para as mulheres livres que eu a reconheço, simplesmente, como minha amiga imaginária mais genial. 

Texto elaborado originalmente para Conexão Rendeiras

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