Cientometria Comunicação Científica

O que é a Meia-vida das citações

O termo “meia-vida das citações” teve origem no conceito físico de meia-vida dos materiais radioativos. Sua transposição para a área de ciência da informação foi feita pela primeira vez por Burton e Kleber em 1960, expressando o período em que uma pesquisa alcança a metade de sua vida útil.

Em 1970, Brookes idealizou um método de medida da meia-vida dos periódicos científicos (Tabela 1), que foi logo em seguida adotado sem qualquer ajuste pelo ISI da seguinte forma: “a MV é o tempo (em anos) para que 50% das citações recebidas por um periódico apareçam na literatura” (JCR, 1998).

Tabela 1 – Exemplo de Cálculo da Meia-Vida das Citações



O “Physical Review Letters” foi citado 268.454 vezes em 2006. Metade deste número de citações corresponde a 134.227. Assim, precisa-se saber o tempo transcorrido para que sejam alcançadas estas 134.227 citações, repassando os anos em sentido decrescente. Somando-se o número de citações para os artigos publicados de 2006 a 2000 tem-se 137.780 citações (51,32%), ou seja, 7 anos. Contudo, precisa-se calcular o tempo para que os exatos 50% das citações atingidas. Assim, se no período de 2006 a 2001 (6 anos) tem-se 119.550 citações, precisa-se de mais 14.677 citações para que seja completadas as 134.227. Como estas 14.677 citações correspondem a 80,51% das 18.230 citações recebidas em 2006 para os artigos publicados em 2000, tem-se que a meia-vida do “Physical Review Letters” é 6,8 anos.

A da meia-vida das citações apresenta uma influência relativa sobre os valores de FI dos periódicos. Esta correlação pode ser compreendida quando comparamos dados de citação de dois periódicos diferentes. A Tabela 2 apresentada a seguir contém os dados de dois periódicos que ocupam cada qual a primeira posição no ranking de FI em suas respectivas sub-áreas, de acordo com a classificação do ISI na edição de 2006 do JCR.

Tabela 2 – Comparação do FI de periódicos de duas diferentes sub-áreas


Observamos na Tabela 2 que, se ao invés de serem consideradas as citações aos artigos publicados nos últimos dois anos (artigos fonte), fossem contabilizadas as citações a todos os artigos (coluna C/coluna G), o periódico da Bioquímica e Biologia Molecular teria um impacto maior do que o da Imunologia, ao contrário do que acontece na comparação do FI propriamente dito (coluna E). Esta mudança de posições se justifica porque o periódico da sub-área Bioquímica e Biologia Molecular demora, aproximadamente, dois anos mais (coluna H) para receber metade das citações do que o título da Imunologia.

Esta valorização de citações recentes para o cálculo do FI tem motivado muitas reclamações dos editores de revistas que se dedicam a áreas que se atualizam mais lentamente e, conseqüentemente, apresentam valores altos de meia-vida das citações (GARFIELD, 1998).

Referências

BROOKES, B. C. The growth, utility, and obsolescence of scientific periodical literature. Journal of Documentation, London, v. 23, n. 4, p. 283-294, Dec. 1970.

BURTON, R. E.; KLEBER, R.W. The “half-life” of some scientific and technical literatures. American Documentation, v. 2, n. 1, p. 18-22, Jan. 1960.

GARFIELD, Eugene. Long-term vs. short-term impact: Does it matter?. The Scientist, v. 12, n. 3, p. 10-12, Feb. 1998.

JOURNAL citation reports. Philadelphia: Institute for Scientific Information, 1998.

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: