Devaneios

Ah, o inconsciente

Não sei se foi desde sempre, mas tenho certeza que faz muito tempo: tenho sonhos e pesadelos muito vívidos, que costumo recordar. São histórias que às vezes se entrelaçam quando durmo. Lugares que conheço em sonhos e que, décadas depois, revisito também em sonho. Tudo isso para dizer que meus sonhos e as recordações que tenho deles são exaustivos, intrincados e, o de hoje de manhã, muito estranho sob vários aspectos. Por essa razão, resolvi contá-lo.

Faz um certo tempo estou assistindo a série “How to get away with murder”, muito por ser super fã de Viola Davis. Ontem, assisti ao episódio que trata de um menino mexicano afastado de sua mãe. Um horror inaugurado pela Era Trump que tem apresentado reversão perigosamente lenta por Biden. 

No sonho, havia uma ocupação nazista na universidade que eu trabalhava. Os oficiais ostentavam seus uniformes, trazendo para a universidade centenas de casais judeus que eram colocados em salas de aula. Os prisioneiros estavam dispostos como alunos em um lugar que não serviria mais para aulas. Era uma espécie de triagem para algo desconhecido e temerário. Naquela ocupação, havia apenas adultos. As crianças haviam sido afastadas de seus pais para serem levadas a países estrangeiros. Não queriam mais que judeus crescessem no país. Eu continuava funcionária daquele lugar horroroso, recém ocupado, sem função aparente. Comecei a ir de sala em sala para tentar descobrir o que ia ser feito com aqueles casais. Eles estavam desesperados, preocupados mais com o afastamento de seus filhos do que por seus futuros incertos. Eu estava transitando, aparentemente à paisana, pensando no que eu poderia fazer para evitar que algo ruim acontecesse. Repentinamente, tudo mudou: concentrada em minha espionagem e sem perceber qualquer aproximação estranha, me viro e me deparo com o ministro da educação em carne e osso. O ministro estava vestido como oficial nazista de alta patente e demonstrava que estava muito ciente de minhas intenções. Minha incapacidade para o disfarce também não me surpreendeu, não me sentia muito competente como agente infiltrada. Violentamente, o ministro me repreende. Sem pensar, violentamente, também respondo: “Se Hitler não estivesse morto, eu o mataria!” Ao que o ministro rapidamente retruca: “Como se Hitler se preocupasse com uma vermelha rechonchuda.”

De todas as tristezas deste relato, que, infelizmente, tem elementos verdadeiros sobre nosso tempo atual e sua semelhança com o que há de pior vivido em nossa história, o que ficou no fim do pesadelo, desarmando todas as minhas conspirações políticas foi: “Será que engordei tanto assim na Pandemia?” Depois disso, acordei ou não lembro da sequência. Acordei estarrecida com minha própria futilidade e sua relação, também, com nossos tempos. 

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