– “Wrana foi eleita Reitora!” – diz a Professora Berwanger na sala 103 (ou 104) no andar térreo da FABICO em algum mês de 1996.
– “E isso é bom?” – pergunto.
– “É ótimo, ela é a melhor!” – vem a resposta.
Wrana Panizzi foi um arraso de Reitora da Univerisidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em suas duas gestões. Tem uma característica rara entre os acadêmicos: é gestora pública. Foi amada e temida, dois adjetivos que me parecem necessários aos gestores que enfrentam tempos de crise. E que crise senhoras e senhores: franco estabelecimento do neoliberalismo na recém reinaugurada democracia.
Chegava cedo, saia tarde, sempre foi trabalhadora incansável para o fortalecimento da universidade pública, gratuita e de qualidade. Um desafio cotidiano, que não apenas assumiu, mas também comunicou e popularizou nos discursos das mais de 5 centenas de formaturas às quais compareceu pessoalmente.
Suas falas resultavam da escuta atenta às palavras de todos os formandos (cada um de nós falava naquela época). Assim, em toda formatura, reiterava com afeto e alto teor político a importância da carreira superior (muitas vezes para famílias sem diploma até então) e do conceito da educação como bem público comum.
Era unanimidade? Claro que não! Mas essa grande bobagem só é exigida das mulheres mesmo.
Nesta semana, dia 12/03, a sala dos Conselhos da UFRGS estava lotada, gentes de muitos lados para homanageá-la na sessão que lhe concedeu o título de Professora Emérita (o conceito de lotação ganhou nova definição na UFRGS na última quinta-feira). Voltando à mesa que ocupou como presidenta dos conselhos superiores da UFRGS por 8 anos, Wrana se auto-denominou vaga de concurso público. Ela tem se manifestado desta forma faz um tempo. Sempre que a escuto, penso: quem dera todas as vagas fossem ocupadas por pessoas com sua coragem e seu profundo senso público.
Na foto, uma prova de meu privilégio pessoal: dos 21 aos meus quase 50 anos, testemunhei que a lenda Wrana não é mito, mas realidade. Sua trajetória é vívida inspiração de trabalho e dedicação a uma universidade pública, gratuita e de qualidade tão necessária ao Estado democrático de direito. Um tipo de instituição que integra docentes, técnicos e estudantes, que forma profissionais, professores, pesquisadores, intelectuais e, mais raramente, tem revelado brilhantes gestores públicos. Neste contexto de excepcionalidade, o W de Wonder Woman (Mulher Maravilha) pode ser reconhecido com igual significado ao W de Wrana.
Coragem e afeto são marcas desta Magnífica Emérita!
