A filosofia e a literatura são indissociáveis na obra de Simone de Beauvoir. A literatura é seu recurso de divulgação científica. Essa relação demonstra uma preocupação efetiva de transformação social, que muitos intelectuais não possuem, preferem desempenhar o papel de intelectual complexo que só é compreendido pela mais alta classe dos intelectuais.
Assim, o texto denso de “O Segundo Sexo” foi disseminado por ela pela ficção em muitas de suas obras literárias. Os tipos “a narcisista”, “a apaixonada”, “a mística” e “a independente” descritos com o rigor filosófico e sociológico de “O Segundo Sexo”, tornam-se personagens muito humanos em “A Mulher Desiludida”, por exemplo. E que personagens e que texto! Simone brinca com o texto, utiliza estilos narrativos diferentes para combinar com as personalidades de suas personagens em seus respectivos contextos sociais e econômicos. Os textos relativamente curtos são um soco no estômago, levam o leitor a sentir a dor da ruptura mãe-e-filho e a obsessão da esposa dona de casa dedicada ao marido, que descobre a traição. Talvez propositadamente, o único sentimento que é difícil de compartilhar é o da narcisista que perde sua filha; seu monólogo é tão egocêntrico que é capaz de minimizar nossa empatia frente a uma morte devastadora.
Simone não se restringiu à temática feminista. “Em Todos os Homens são Mortais”, por exemplo, ela conta séculos da história dos regimes políticos e dos sistemas econômicos, tendo como narrador um nobre feudal que se tornou imortal após tomar uma poção mágica. A busca pelo bem estar social é o ponto que interliga a série de revoluções ocorridas nos diferentes tempos históricos e que tem em comum, unicamente, a incapacidade de encontrar exatamente o bem estar social. Do ponto de vista individual, há também a reflexão sobre o amor e a morte, que é tão presente no livro, quase se tornando um personagem. Nós mortais costumamos temer, às vezes quase obsessivamente, o fim de nossas vidas, um ser humano ficticiamente imortal vive como uma constante o sentimento de medo de perder a vida de quem ama. Não temos mais o sentido da vida pela vida, mas da vida pelo amor. Em “Todos os Homens são Mortais” ela trata dos mais complexos dilemas existenciais públicos e privados com um texto que a mim, particularmente, hipnotizou.
Faltam 13 dias para o nosso lendo juntas “Nós mulheres” de Rosa Montero no El Pesto sobre Simone de Beauvoir!
Amanhã, seguimos falando sobre Simone!
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Bibliotecas e devaneios é comigo mesma, sabia?
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